sexta-feira, 28 de setembro de 2018

RIP Jornalismo


Como já dizia Olavo de Carvalho, "O problema de muitos “formadores de opinião”, no Brasil de hoje, não é a burrice em estado puro, mas aquela burrice em segunda potência que nasce do impulso histérico de criar uma frase e, ouvindo-a da própria boca, acreditar nela pela simples razão de ter conseguido dizê-la. O histérico vive em um mundo fictício composto inteiramente de autopersuasão. Daí ao mais extremo analfabetismo funcional o passo é bem curto. Quando o histérico lê alguma coisa, não entende aquilo que está escrito, mas o que desejaria que estivesse escrito. E acredita piamente que foi isso o que leu. [...] Quatro ou cinco décadas atrás, você abria os jornais e encontrava análises políticas substantivas. Fossem “de esquerda” ou “de direita”, os articulistas ainda acreditavam numa coisa chamada “verdade” e faziam algum esforço para encontrá-la.
Hoje em dia temos puros polemistas, que não investigam nada, não explicam nada, não fazem nenhum esforço intelectual, não tentam entender coisa nenhuma, só tomam posição, lavram sentenças como juízes e ditam regras. [...]"

Uma das funções do jornalismo nos regimes democráticos é fiscalizar os poderes públicos e privados e assegurar a transparência das relações políticas, econômicas e sociais. 
Devido a tal importância, a imprensa e a mídia foram denominadas como o "Quarto Poder".

Todos os códigos de ética do jornalismo incluem, como valores e preceitos fundamentais, a busca da verdade, a veracidade e a precisão das informações. Por sua vez, a Declaração de Princípios sobre a Conduta do Jornalista, da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), afirma que "jornalistas dignos do nome" (art. 9) devem seguir fielmente o princípio estabelecido no artigo 1º: "O respeito à verdade e ao direito do público à verdade é a primeira obrigação do jornalista". 
Mas, infelizmente, o que ocorre hoje em dia é que interesses pessoais, ideológicos ou mesmo monetários são colocados acima do compromisso estabelecido. E, consequentemente, a ética jornalística tem sido cada vez mais tida como irrisória - Resultando nesse lamaçal que popularmente conhecemos como "fake news".

Como jornalista, fico particularmente decepcionada com tal escancaramento tendencioso, falta de profissionalismo, compromisso com a profissão e a verdade.

Em 1999, Olavo foi questionado sobre "A quem interessa a hegemonia deste tipo de jornalismo (dito objetivo e imparcial) preconizado atualmente?", e a resposta foi a seguinte: "Há dois grupos de interesse que hoje partilham quase sem conflitos, por um acordo de cavalheiros, o domínio sobre o jornalismo nacional: os donos das empresas e os grupos políticos que fazem a cabeça da classe jornalística. Os primeiros entendem jornais e revistas como produtos, que devem atender à demanda do mercado. Os segundos entendem-nos como meios de criar ressentimento e ódio no povo para produzir uma revolução e tomar o poder. Na perspectiva dos primeiros, objetividade significa dar igual tratamento à verdade e ao erro, de modo que o leitor se torne incapaz de distingui-los. Na dos segundos, consiste em jogar a culpa de tudo sobre alvos previamente selecionados, destinados a perecer como bodes expiatórios numa futura carnificina redentora. Misture essas duas coisas, em doses equilibradas, e terá a fórmula do jornalismo brasileiro atual: a perfeita mistura da amoralidade com o falso moralismo."

A contrapartida dessa degringolação midiática, é que hoje temos a internet. Muitos que antes eram apenas leitores hoje se tornam porta vozes da informação, obtendo, muitas vezes, até mais credibilidade que alguns veículos em si.

Levará anos para uma reestruturação do jornalismo, a tomada de consciência é apenas o início para a quebra dessa falsa superioridade e moralidade em que se encontra - portanto nunca é demais reforçar que jornalismo não é a unanimidade da informação. 

"Desconfiem sempre do que noticia a imprensa escrita e falada. A caneta de um mau jornalista, pode fazer tanto mal quanto um bisturi na mão de um mau médico." 
Enéas Carneiro



14 comentários:

  1. Vim Pelo Lilo -- Preguiçoso vá ler esse texto em vez de comentário!

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  2. Ótimo texto, Brina. Precisamos de mais jornalistas com a consciência que você tem :)

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  3. Parabéns brina ! E obg por compartilhar lilo !

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  4. Excelente texto! A internet está ajudando e muito a quebrar esse controle por parte da mídia. Olavo tem razão!

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  5. Que texto perfeito!
    Grande Enéias 👏

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